quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os professores ganharam...nós perdemos!

O acordo assinado entre o Ministério da Educação e os sindicatos foi o fim de uma novela que se arrastava há já alguns anos. Poderiamos, neste momento, estar satisfeitos pelo acordo alcançado entre as partes...poderiamos se fossemos professores porque se formos meros contribuintes é melhor começar a ranger os dentes. É que o acordo alcançado é óptimo para os professores mas péssimo para a generalidade dos contribuintes deste país.
Os professores passam a ter a progressão de carreira mais rápida do que todos os outros funcionários públicos, a quota para classificações de "muito bom" e "excelente" é superior, a progressão não está condicionada pelas disponibilidades orçamentais, é mais rápida que a dos outros servidores do Estado e obrigatória de quatro em quatro anos. Em resumo que os contribuites cá estarão para pagar o facto de qualquer professor, seja qual seja o seu mérito, algum dia alcance o topo da carreira.
O mínimo que se pode pedir é que, pelo menos, o ensino tenha qualidade!

6 comentários:

Observador atento disse...

Acabava de ler o "post" publicado em "Além Caia" e vim ler este. Extraordinária coincidência!
Aquele texto que se chama "Vitórias à Pirro", parece-me ser o melhor comentário que se pode fazer a este "Os professores ganharam...nós perdemos!"
E após a leitura de ambos, penso: Será que ganharam mesmo?
E, quais foram os professores que ganharam?
E com que mérito?
E que desgaste sofreram na sua imagem profissional?
E com que crédito profissional ficaram depois desta luta?
Que força lhes resta para lutarem para aquilo que seriam as grandes lutas da sua profissão: melhoria da educação; autoridade reconhecida e legitimidade para restabelecerem a segurança e a ordem que favorecessem uma verdadeira acção educativa e de formação?
Parece-me que esta vitória do corporativismo docente é um verdadeiro exemplo de uma "Vitória à Pirro".

Lisa disse...

É preciso recuar até aos anos setenta e oitenta do século passado para se perceber o que se passa na educação. Durante anos e anos, o Ministério da Educação foi um fiel obediente dos sindicatos que partiam da frase bem conhecida "para trabalho igual, salário igual". É verdade que os professores, em cada degrau da carreira, tinham horários iguais, mas, como é sabido, o seu desempenho nunca pode ser considerado igualmente competente. Mesmo na altura em foi introduzida a avaliação, ela não passava de uma mera formalidade para a progressão na carreira, não distinguindo os bons dos medíocres ou mesmo dos maus professores. Nas escolas instalou-se uma cultura da mediocridade, sempre apadrinhada pelos sindicatos. Muitas das medidas legislativas que foram sendo aprovadas no sentido de introduzir uma verdadeira cultura de avaliação nas escolas, não passaram do papel para a prática. Ora, uma instituição que não tem a capacidade de se avaliar, também não tem a capacidade de melhorar nos aspectos menos conseguidos do seu desempenho, inclusivamente do trabalho realizado pelos professores.
Apesar da falta de habilidade política, a verdade é que Maria de Lurdes Rodrigues foi a única ministra da educação que ousou lutar contra este estado de coisas. Com os resultados que se viram. Foi lamentável ver partidos políticos com responsabilidade, tomar atitudes absolutamente inaceitáveis e contrárias ao interesse nacional.
Talvez a actual ministra tenha cedido nalguma coisa para apaziguar as escolas e os professores, instrumentalizados por sindicatos, partidos políticos e alguns grupos constituídos com o único objectivo de repor a antiga situação. Só espero que a avaliação dos professores não volte a ser o processo ridículo em que apenas 3% tiveram uma classificação inferios a Bom.
Mas não se pense que esta situação é exclusiva dos professores. Veja-se o que se passou com a avaliação de magistrados e juízes.

Anónimo disse...

De que estão á espera ?


... se a maioria dos portugueses está mal por causa do mau líder governamental.

... se uma minoria de portugueses ( professores) está bem devido ao seu bom líder !

Então... façamos a troca de líderes.


(onde é que assino?)

Anónimo disse...

Estou avaliando-me...


Serei : bom, medíocre ou mau ?


Fim da avaliação.

Anónimo disse...

Netinho ! o que está aqui escrito?



Se nos anos 70 do século passado...

... os docentes... e a educação escolar eram tão bons!

Porque havia 66% de analfabetos em Campo Maior ?

João Paulo Saragoça disse...

Continuo sem concordar. Os contribuintes não ganham nada é com o agraciamento público de um ex-autarca e ex-primeiro-ministro que é um reconhecido despesista, nem com o pagamento do vencimento a uma ex-autarca que andava fugida à justiço, nem com o eternizar de julgamentos mediáticos, nem com a candidatura do nosso incompetente governador do Banco de Portugal a vice-presidente do Banco Central Europeu, nem com os negócios obscuros de quase todos os ministros (incluindo o 1º) e ex-ministros, nem com a “não-responsabilização” financeira dos administradores dos bancos falidos (tal como foi efectuado em Espanha), nem com a pouca vergonha que é o financiamento dos partidos políticos, nem com os Jobs for the Boys, nem com as pensões milionárias, nem com os subsídios para tudo e por nada (sabiam que um deputados recebe subsídio para transportes público!)… e paro por aqui, mas todos sabem que haveria muito mais para enumerar.
E as bestas são os funcionários públicos? E os malandros são os professores? Pois… só me faz lembrar um gajo que um dia disse que os culpados da crise eram os judeus!

p.s. para o anónimo das 16:33: porque só os ricos se podiam dar ao luxo de estudar.