quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Da (aparente?) vitória dos professores

Pirro, rei do Épiro, no norte da Grécia, travou uma grande batalha em 280 a. C. na qual venceu os romanos. Mas estes infringiram-lhe tais perdas que teve de abandonar a Itália com medo de que o seu exército fosse arrasado em novos combates. Por isso, ainda hoje se diz que foi uma vitória à Pirro quando as perdas do vencedor são tão grandes e os ganhos tão pouco importantes, que mais valia nem ter combatido.
Vem isto a propósito da greve dos professores? Não sei. Acudiu-me isto à mente ao ler o texto que a seguir transcrevo:
Como seria de esperar, o Ministério da Educação já não tinha margem para manter o braço- de-ferro com os professores pelo que acabou por recuar (...)
Agora, não vale a pena iludi-lo, o processo de avaliação está paralisado, mas é fundamental que, encontrado o caminho do bom senso pelo Governo, os sindicatos não descartem a urgência de encontrar um modelo justo e exequível de avaliação dos professores. Não é fácil, porque não há modelos perfeitos, mas é imprescindível definir fórmulas capazes de distinguir o trigo do joio. Aliás, os professores, que justamente se queixam da progressiva degradação da sua condição profissional, não podem escamotear que grande parte da reconquista da sua imagem social só será possível se a sua conduta for percepcionada como uma espécie de busca da excelência (...)
Ora, é bom que quem ensina e tem o poder de avaliar, não permita que se instale junto dos avaliados a suspeição de que foge à avaliação do seu próprio desempenho. Isso não só abriria portas a uma certa anarquia escolar, como criaria condições para fragilizar, de forma decisiva, o papel determinante que os professores devem ter não só na escola, como no tecido social. Por isso, no momento em que as negociações entre as partes vão ser retomadas, é fundamental que o governo mostre ter aprendido a lição que os professores lhe deram e que estes não se esqueçam de que, embora pareça, os jovens não admiram o caminho da facilidade.
(Para leitura intergral do texto, consultar a revista "VISÃO" de 27 a 3 de Novembro, pág. 64, artigo de Áurea Sampaio, "Cartas na mesa - Modelos"

4 comentários:

Josefa disse...

Proponho que os alunos exijam ser avaliados pelo mesmo modelo proposto pelo sindicato do sr. Mário Nogueira para os professores: que no final do ano apresentem um relatório de autoavaliação e, assim, passem de ano. Só excepcionalmente podem não transitar.
Como hoje ouvi um professor, "porque é que os alunos não HA-DEM poder protestar se acham que estão ser prejudicados?"

João Dionísio disse...

Ora aí está uma boa proposta. A D. Josefa: já pensou em fazer carreira como sindicalista? Olhe que leva jeito para a coisa. Nem o Sr. Professor Mário Nogueira conseguiu ter ideia tão brilhante quanto esta. Afinal, os alunos devem aprender com os mestres que têm. Não é verdade? Devem imitá-los e seguir-lhes as pisadas pois os professores devem ser tomados como "mestres de vida". Ou não é?

Três horas da manhã disse...

Não acho que seja uma vitória dos professores, mas sim uma derrota da sociedade em geral e da escola em particular.

Muitas vezes, alguns professores das escolas públicas tentam imitar os modelos das privadas, pois estas últimas têm uma taxa de sucesso muito superior. Não será devido a terem as referidas melhores professores, entre outras razões?

Acredito que sim. Se gostam tanto de copiar os modelos privados, deviam saber que nas escolas provadas existe avaliação de professores e que muito raramente existem algum professor que consegue chegar ao topo da carreira...

Vamos lá, acordem e vejam a realidade, estamos a hipotecar o futuro do nosso país (ainda mais) com as facilidades concebidas aos estudantes e os maus professores a imperarem.

Cumps

António Pacheco disse...

Venho apenas cumprimentá-lo pela maneira frontal como cloca as suas opiniões, sempre de maneira fundamentada e bem informada.
A leitura do seu blogue trás-nos sempre algum ganho de conhecimento.
Confesso que muitas vezes ouvi e até usei a expressão "vitória à Pirro" mas não sabia a sua origem e significado real. O seu emprego como introdução a este assunto e a este tema é um achado.
Os meus parabéns.