terça-feira, 5 de agosto de 2008

Das Festas do Povo

"A ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DAS FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR COMPETE A UMA ASSOCIAÇÃO LEGALMENTE CONSTITUÍDA PARA O EFEITO. EM VIRTUDE DA DIRECÇÃO ADMINISTRATIVA DA MESMA SE TER DEMITIDO NÃO É POSSÍVEL REALIZAR AS FESTAS DO POVO EM 2008."

(Site da Câmara Municipal de Campo Maior, Notícias curtas)

Foi com surpresa que, ao visitar o site da Câmara Municipal de Campo Maior, deparei com esta notícia "curta" no canto superior direito da página de entrada, em lugar de destaque.
Esta notícia não abona da seriedade de quem a escreveu. Porque qualquer campomaiorense esclarecido sabe que ela está cheia de informações falsas e de intenções dirigidas a alvos bem definidos.
Basta um pouco de reflexão para se entender que em tão poucas palavras são muitas as "setas" intencionalmente disparadas:
1. A ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DAS FESTAS DO POVO DE CAMPO MAIOR COMPETE A UMA ASSOCIAÇÃO LEGALMENTE CONSTITUÍDA PARA O EFEITO
Um coisa é ter existido uma Associação das Festas do Povo de Campo Maior, legalmente constituída para efeito, outra seria ter escrito "competia a uma associação". Uma vez que legal e factualmente, a dita associação deixou de existir, como é do conhecimento geral.
Curiosamente, aconteceu comigo que, confundido por certas notícias sobre Festas em 2008, telefonei para a Câmara para me informar. Estranhamente, mandaram-me falar com a última presidente da Assembleia Geral da Associação das Festas, qual, muito amavelmente, me elucidou de que essa associação tinha deixado de existir por falta de candidatos aos corpos sociais.
2. EM VIRTUDE DA DIRECÇÃO ADMINISTRATIVA DA MESMA SE TER DEMITIDO NÃO É POSSÍVEL REALIZAR AS FESTAS DO POVO EM 2008
Só mesmo de muita má fé se pode fazer tal afirmação. Então, e antes de haver associação, como se faziam as Festas?
Certas mentalidades continuam a pensar que basta dizer muitas vezes a mesma mentira para que ela comece a soar como se fosse verdade. Habituados a não serem contestados dentro da corte em que se integram, esquecem que nem todos têm memória curta e que haverá pessoas com capacidade para discernir a verdade das coisas.
Ora, até à criação da Associação das Festas do Povo, elas foram realizadas, exactamente, devido à iniciativa de presidentes da Câmara Municipal como José Luís Telo e Manuel Rui Nabeiro. A Câmara nomeava uma Comissão e esta programava e concretizava as Festas.
Ao que parece, é assim que, ainda hoje, procedem as autarquias na organização das festas dos respectivos concelhos.
Com que desculpa se coloca a Câmara Municipal de Campo Maior à margem da maior manifestação cultural do concelho? Por falta de dinheiro? Numa Câmara onde as festas se multiplicam ao longo do ano, sendo que algumas implicam avultados investimentos, só tolos podem aceitar que é por falta de verbas que a Câmara não realiza as Festas do Povo.
Que prestígio, que fama, projectam as "Varandas a São João"? E é preciso uma associação as realizar?
As Festas do Povo, realizadas de 4 em 4 anos, dariam maior projecção a Campo Maior do que décadas seguidas das "Varandas a São João".

3 comentários:

siripipi alentejano disse...

Aqui estou de novo, como prometi, lendo com muita atenção o que escreveu sobre as nossas Festas do Povo.
Eu tenho sido e continuo a ser um defensor acérrimo da nossa Cultura, dos nossoa Usos e Costumes, as Festas do Povo ocupam o primeiro lugar e nos últimos 20 anos talvez tenha sido das pessoas que mais escreveu sobre esse magistral evento.
Comungo em absoluto das suas idéias, as Festas do Povo, segundo a tradição, realizam-se sempre que o Povo quer.
Relativamente às Varandas de Sâo João que foram realizadas em 2007, a Câmara dispendeu uma verba de 55.515,95 €, dinheiro esse que poderia ser a mola de arranque de uma edição das Festas.
Em 18 de Setembro de 2007, como eleito na Assembleia Municipal, apresentei uma Nota de Protesto pela sua realização. Nesse documento, entre vários considerandos, manifestei o meu descontentamento pela forma como foram divulgadas na Internet, indunzindo erradamente potenciais Turístas, como se tratassem das Festas do Povo e onde poderiam apreciar centenas de janelas floridas. A verdade é que, infelizmente, muitos Turistas se deslocaram a Campo Maior e cairam nesse engodo.
Contrariamente ao que o Senhor Presidente da Câmara afirmava no programa oficial, este evento não foi uma homenagem à nossa memória colectiva e uma oportunidade única de mostrar ao Mundo a cultura, através da música, dos desfiles etnográficos, da Gastronomia, do Artesanato e, como não podia deixar de ser, das Varandas de São João.
Estas palavras são fruto de uma demagogia, própria de uma mente inculta.
Na minha Nota de Protesto, que a poderei facultar,alerto para vários problemas,entre eles destaco os nº. 4, 5 e 6:
4 - Procurar a criação de um espólio fotográfico que integre o nosso Património Monumental, as nossas Tradições e factos do nosso passado recente;
5 - As Festas do Povo, segundo os Estatutos da Associação, devem realizar-se de 4 em 4 anos. Aproximamo-nos de 2008, é tempo de se reunirem esforços e de se começar a pensar se vai ou não haver Festas. A Câmara Municipal deverá prestar todo o apoio logístico necessário e na qualidade de Organismo de Administração Pública interceder junto do Poder Central e Regional para que à Associação sejam concedidos subsídios que permitam colmatar as avultadas despesas (as últimas Festas tiveram uma comperticipação de 250.000,96 €;
6 - Para que as Festas possam ser auto-suficientes, preconiza-se a encomenda de um estudo de viabilidade económica das Festas, ponderando-se eventuais receitas de bilheteira e aparcamentos de viaturas, bem como a forma de adjudicação da cobrança dessas receitas a uma ou mais Empresas de reputada credibilidade.
Termino dizendo-lhe que as Festas do Povo são o corolário dum Mundo de esforço, de fantasia, de entusiasmo sem limites, dedicados à preparação de um extraordinário Jardim Florido. Não podemos esquecer e enaltecer o esforço desenvolvido pelos Campomaiorenses, devemos igualmente falar do poder de que estão imbuídos e que os impulsiona,com uma força sobrenatural, tornando-os génios de criatividade e de imaginação.
Campo Maior, 5 de Agosto de 2008
siripipi-alentejano

cravo disse...

É de lamentar a atitude da CMCM ao não assumir a organização das Festas do Povo. E, além disso, desculparem-se pelo facto da Associação das Festas não ter corpos sociais, ou seja, não existir efectivamente, é absolutamente inadmissível.
Li também com atenção as informações do blogue Siripipi e parece que não é por falta de dinheiro que não querem fazer as Festas. Tentam vender as "Varandas a S. João" quando se sabe que elas ficam a anos luz do que são as Festas do Povo. Em vez de gastarem dinheiro em coisas que não interessam a ninguém, que o aplicassem naquilo que verdadeiramente é uma das marcas de Campo Maior e pela qual a vila é conhecida em todo o país e até no estrangeiro.

Anónimo disse...

Tenho leido com surpresa que uma festa, conhecida por sua extraordinária originalidade e a convivialidad antes e durante a celebração, não se celebra este ano. Tive o prazer de conhecê-la e recomendá-la a meus amigos, jornalistas e operadores turísticos, faz já 20 anos. As autoridades não devem deixar morrer este monumento cultural com a desculpa do desaparecimento de uma associação.Desde Espanha meu apreço e minha tristeza Rafael