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sábado, 15 de agosto de 2009

Das minhas confusões

Ando a ficar muito confusa com o que se está a passar em Campo Maior uma das coisas foi ontem ter ido ver a feira que não é grande coisa e até parece mais pequena do que quando era feita na avenida e estive à espera do espectáculo porque tinha visto que iam aparecer os Canta Brasil que até é um grupo que eu gosto e então sentei-me numa daquelas cadeiras brancas de plástico e ali fiquei a apanhar o calor que vinha do chão até que começaram a aparecer os fumos e as luzes a piscar e uma música que já ouvi em qualquer lado e então apareceu um homem bastante grande a cantar e duas raparigas com pouca roupa que se mexiam com grande velocidade e ainda esperei que aparecessem os outros mas acabei por desistir e fui-me embora por isso acho que esta fotografia do cartaz é aquilo que muitas vezes dizem que é publicidade enganosa e a outra coisa é a inauguração daquele bocado do que chamam o jardim mas eu não tenho coragem de lá ir por causa do calor e vou antes dar um mergulho para qualquer lado e até já ouvi há dias uma vizinha que tem uma criança pequena a queixar-se que não pode levar a criança de manhã ao jardim por causa do calor que lá faz e então tem de ficar com ela fechada em casa e só à noite é que consegue sair mas aí é outro problema porque além do calor que tem feito são mas é horas de a pôr dormir e por estas e por outras é que fico confusa quando dizem que aquele lugar é aprazível.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Do churrasco ecológico

Um dia destes a minha mãe chegou a casa a deitar os bofes pela boca e danada porque tinha atravessado a avenida na hora de maior calor e já sabem como ela é que reclama por tudo e por nada e saiu-se com uma que me deixou a pensar então dizia ela que quando chegar ao pino do verão até se vão poder estrelar ovos na calçada ainda por cima com as árvores raquíticas que lá estão e que não dão quase sombra nenhuma e aí surgiu-me uma ideia e até nem sei como a senhora vereadora ainda não se lembrou disso ela que é tão boa a inventar coisas novas e originais e então dou-lhe esta ideia de graça para ela aproveitar agora que se aproximam as festas de verão que parece que vão ser de arromba este ano e a ideia é fazer um grande churrasco ecológico de bifanas na avenida porque como gostam muito de dar de comer às pessoas aproveitavam para divulgar no portal da câmara e chamar muita gente de fora dizendo que não se vai gastar outra energia que não seja a do sol ora isto é um motivo mais do que suficiente para atrair pessoas de todo o país e para vir a comunicação social os jornais a rádio e a televisão e digam lá que não há pessoas em Campo Maior que gostam de ajudar o poder.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Da minha pessoa

Um senhor anónimo que deixou um comentário acha que sou a "mãe camponesa" mas desengane-se porque não pode estar mais errado porque eu ainda sou jovem e comecei a escrever aqui no blogue porque o senhor Gavião aquele que escreve aquelas coisas meio complicadas e que às vezes não entendo muito bem me convidou para que pudesse haver aqui também uma voz mais jovem e então ele disse-me que gostava que eu colaborasse no blogue e eu disse-lhe que gostava mas que não escrevia muito bem e ele respondeu que não fazia mal só não queria ver erros no blogue mas que no que respeita aos pontos e vírgulas não fazia mal porque há muitos anos uma menina escreveu durante muito tempo para um jornal sem pontos nem vírgulas e eles não se importaram e disse-me também que o Saramago que escreve livros e até ganhou o prémio Nobel também não costuma usar muito os pontos e as vírgulas e então eu respondi que nesse caso estava bem e podia contar comigo.
Nem calculam o que me diverti no carnaval no desfile e no baile gostei tanto que não me importava que houvesse mais dias de carnaval durante o ano e só espero que organizem outras festas e desfiles onde a juventude possa entrar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Do meu fato de carnaval

Estou muito contente a minha mãe é uma chata que nunca me deixou comprar um fato de carnaval porque era dinheiro mal gasto que havia mais onde gastar o dinheiro e eu sempre tive o sonho de me mascarar com um fato a sério mas tinha de fazer uma máscara trapalhona com as coisas que tinha lá em casa mas este ano vou ter um fato a sério e vou desfilar com os meus amigos e amigas até estou a ficar nervosa porque nunca mais chega a hora de desfilarmos vai ser bonito e vou levar muitos papelinhos e serpentinas para deitar durante o caminho e vou-me divertir muito dançar muito e essas coisas todas e à noite devemos todos ir também divertir para qualquer lado e até nem me vai apetecer tirar o fato de tão bonito que ele é embora o meu sonho tenha sido sempre vestir-me de espanhola com castanholas e tudo eu gosto muito da vereadora que agora realizou o meu sonho e não se importou de gastar aquele dinheiro todo com os fatos de carnaval e vou guardá-lo para recordação deste ano.

Desculpem se não escrevo muito bem mas na escola nunca consegui aprender essa coisa dos pontos e das vírgulas e aquela coisa que emenda as palavras mal escritas não diz onde pôr os pontos e as vírgulas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Do Natal em Campo Maior

Encontro pelas ruas crianças e adultos vestidos de forma estranha. De verde vestidos, roupas recortadas de maneira pouco usual. Pergunto porquê. Dizem-me que são duendes e celebram o Natal. Fico perplexo. Confundem-se-me as ideias. Duendes? Natal? Será que perdi a noção exacta das coisas?
Chegado a casa, abro o dicionário e leio:
Duende - entidade das lendas europeias, de aspecto humano, orelhas pontudas e pequenina estatura. São travessos e entretêm-se a pregar partidas aos moradores das casas, mudando o lugar das coisas, fazendo travessuras nocturnas para assustarem os humanos que nelas habitam.
A minha confusão aumenta. Tenho a vaga ideia de uma crença pagã irlandesa que mergulha no fundo dos tempos.
E o Natal? E a festa cristã, celebrando o nascimento de um Deus Menino, esperança redentora dos pecados humanos? E o bondoso velhote de barbas brancas e vermelha vestimenta que, trazido no seu trenó por incansáveis renas, vinha pelas chaminés distribuir os brinquedos que faziam o encanto das crianças nórdicas que cresciam nessa tradição, que todo o mundo perfilhou?
Tudo se confunde. Um Natal com desfile de figuras esquisitas que invoca as momices do carnaval?
Onde as tradições? Onde a memória?
O outro disse: O Natal é quando um homem quiser.
Enganou-se. Afinal, o Natal é como a imaginação delirante de certas pessoas nos quer impor.
Para me assegurar de que me assiste razão para tudo isto recusar, vou sentar-me a contemplar o singelo presépio que enfeita um cantinho cá de casa. Há que garantir, no meio de tudo isto, alguma sanidade mental.
Boas Festas. Santo Natal. Feliz Ano Novo.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Das "Tradições"

Em 2006 foram organizadas, pela Câmara Municipal de Campo Maior, as festas a que deram o título de "Tradições". Decorreram durante uma semana, exactamente no mesmo período em que costumam realizar-se as Festas do Povo, ou seja, desde o último fim de semana de Agosto até ao primeiro de Setembro. Este evento voltou a realizar-se em 2007.
O programa incluía: desfiles de ranchos folclóricos e etnográficos, figurantes trajados à moda do século XIX e primeiras décadas do XX, representando as várias classes sociais; espectáculos nocturnos com a apresentação de alguns dos ranchos que tinham integrado os desfiles e outros artistas contratados para o efeito, além dos grupos de cantadores de saias, organizados com pessoas da vila. Aliás, era esta a parte mais esperada e que mais interesse despertava nos campomaiorenses. Faz parte da cultura local o canto de saias, acompanhado por pandeiretas, enfeitadas com fitas e berloques coloridos, e por castanholas. Sempre que havia espaço para tal, também se armava um baile de roda.
Além destas manifestações folclóricas e etnográficas, foi proposto à população que enfeitasse as janelas com flores de papel no que foi designado como "Varandas a São João". Houve muita gente que se interrogou sobre esta ideia que foi apresentada como o reviver de uma tradição. Por um lado, ninguém, mesmo os mais antigos, se lembram de que tal tradição tenha alguma vez existido. Por outro, aparecia como qualquer coisa que evocava as Festas do Povo devido às flores de papel. A expectativa era grande porque não havia ideia de quantas janelas se iriam ornamentar. O resultado foi muito decepcionante. Percorrendo as ruas da vila, podia verificar-se que algumas não tinham qualquer janela engalanada e, noutras, eram muito poucos os moradores que tinham aderido à iniciativa. No segundo ano, notou-se que havia mais pessoas a ornamentar as janelas e varandas, mas o efeito voltou a ser, ainda, muito fraco. Isto vem confirmar que as "tradições" são criações do povo que permanecem no tempo e não actividades propostas para que o povo as assuma e perpetue.
Algumas pessoas tomaram consciência de que as "Varandas a São João" eram uma iniciativa muito pobre e que, por contraste, lembrava a grandeza e a espectacularidade das Festas do Povo. Por causa disso, em 2007, muita gente aderiu a um abaixo-assinado em prol da realização das Festas do Povo.
A publicidade feita pela Câmara, sobretudo através do respectivo site, teve como consequência que alguns forasteiros se tenham dirigido a Campo Maior, iludidos e na presunção de que se estavam a realizar as Festas do Povo. Foi com tristeza que ouvi muitos deles a reclamar pelo engano, lamentado o logro em que tinham caído.
Este ano voltam a realizar-se as "Tradições", de 30 de Agosto a 7 de Setembro. A fazer fé no programa distribuído, não se volta a insistir nos grupos folclóricos e etnográficos. Mudou-se, e muito bem, para tradições como os vestidos de chita, os aventais, as profissões de antigamente e cestos de flores de papel. Infelizmente, insiste-se teimosamente nas "Varandas a São João" que, não sendo uma verdadeira tradição, parece não ter condições para vingar.
É útil, conveniente e necessário, aprender com a experiência e aprender com o povo.